Autogestão: você faz?

Em tempos de Home Office, foi preciso desenvolvermos pela necessidade uma grande habilidade: a autogestão. Mas e aí, você sabe o que é isso? Quão desafiador é para você praticar isso na sua rotina de trabalho?

Antes de qualquer metodologia ou técnica, a autogestão nos exige de imediato uma coisa complexa e muitas vezes dolorida: o autoconhecimento. É preciso que eu saiba os fatores que são distrativos para mim, os estímulos que me geram concentração e foco, os componentes do ambiente em que estou que contribuem para a minha produtividade, e claro, o que eu preciso fazer e/ou ter para manter minha motivação se recarregando dia após dia.

Existem alguns termos no mercado que nos ajudam a entender um pouco sobre a importância da autogestão. Um desses termos, que tem ficado cada vez mais famoso, é o Accountability. Esse termo nada mais é do que tratar todos os colaboradores como os reais responsáveis pelos resultados alcançados, gerando um maior comprometimento e engajamento entre as equipes. Mas podemos, e devemos, ir além. Se pensarmos na raiz da palavra Gestão, temos que gestão é gerenciar, dirigir ou administrar algo, ou alguém. E é aí que mora o desafio.

Se você fechar os olhos agora, consegue enumerar de zero a dez quais são seus principais pontos de desenvolvimento? E se eu te perguntar sobre seus cinco principais pontos de alta performance? Você sabe qual é o máximo de tempo que consegue se manter concentrado(a)? Você sabe como despressurizar seu cérebro? E a sua capacidade de planejamento, está em dia?

O ser humano é um ser social, Aristóteles já nos avisou isso há milhares de anos. Então será que o desafio de gerenciarmos a nós mesmos, dentro de um contexto de isolamento social, é algo realmente tão simples? Certamente não. Essa questão precisa de tempo, muito tempo para ser esclarecida. E ela nos pede uma capacidade muito grande de observação, mas não do ambiente, e sim de nós mesmos. Por isso esse é um cenário tão desafiador. As gerações X e Y foram criadas em meio a automatização, logo, seguir com um passo após o outro, uma tarefa em sequência da outra, sempre buscando otimização de processos, é algo inerente às pessoas que nasceram depois da metade dos anos 80.

Vivemos esperando uma quarentena acabar. Vivemos uma reunião esperando que ela termine a tempo da próxima. E no meio de toda essa sequência de compromissos, esquecemos de nos observar. De nos darmos feedbacks. De avaliarmos o nosso desempenho. De fazermos pesquisas para descobrirmos os climas dos nossos dias. De fazermos 1:1 com nós mesmos, de checarmos nosso nível de motivação e de sabermos a hora de parar para tomar um café da tarde, não apenas porque queremos, mas porque precisamos.

Sim, o ser humano é um ser social, e no meio de um isolamento, é preciso parar, ainda que a gente não perceba. Seja para tomar um café, para tomar um sol, apenas para fechar os olhos ou ficar em silêncio. Quando falamos de autogestão em 2020, falamos de olharmos profundamente para dentro. É hora de não economizarmos esforços com nós mesmos. É hora de investir na qualidade do tempo que mais importa, o nosso. Esses certamente são os primeiros passos para dominarmos esse desafio tão grande que parece ser a autogestão.

Compartilhe este post

Isabella Furbino

Isabella Furbino

Psicóloga pela UFMG, pós graduanda em Gestão de Negócios pelo IBMEC, Business Partner do time Comercial na Sólides, especialista em Gestão Comportamental e responsável pela formação de mais de 2 mil Analistas Comportamentais Profiler. Comunicadora, atleticana, apaixonada por culinária, por café e pela educação!

> Não perca as novidades <

Assine nossa newsletter e receba todo o conteúdo do Portal direto no seu e-mail!